Nas últimas semanas, desde a divulgação da bula da vacina da Pfizer, uma preocupação esteve rondando a cabeça das futuras e recém-mães por aqui: afinal, quando vamos poder ser vacinadas? Vale a pena desmamar para poder tomar a vacina?

Atualizado em 03/02/2021.

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Boas notícias!

Bom, a primeira boa notícia é que não é que esses grupos nunca vão poder ser vacinados, apenas que, dada a urgência da necessidade de desenvolvimento das vacinas, tais grupos ainda não puderam ser estudados. Então será uma questão de tempo para termos uma resposta mais definitiva.

A segunda boa notícia é que o E-Lactância, maior portal para consulta da compatibilidade de medicamentos com a amamentação, acabou de divulgar sua avaliação sobre as vacinas em estágio mais avançado, classificando-as como baixo risco muito baixo risco. Segundo o portal, é altamente improvável que os componentes das vacinas produzidas com RNA (Pfizer, Moderna), adenovírus (Oxford, Sputinik) ou vírus inativado (Coronavac) possam ser liberados no leite. Por não conter o vírus Sars-CoV-2 vivo, elas também não tem potencial de causar a doença (muito menos modificar o nosso DNA!)¹ (atualizado em 29/01/2021)

E o andamento dos estudos?

Com base nessas informações e na análise de risco x benefício, algumas mães que são profissionais de saúde já optaram por se vacinar, e doaram amostra de leite para embasar novos estudos. Aqui no Brasil mesmo já há lactantes voluntárias nas pesquisas para a vacina da Johnson&Johnson (tecnologia similar à da Oxford), então é bem provável que tenhamos boas notícias em breve!²

27/01/2021: A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) elaborou documento corroborando os pontos já destacados acima, e complementando com a informação de que puérperas e lactantes pertencentes aos grupos prioritários devem ser vacinadas normalmente com qualquer uma das vacinas (neste documento foram analisadas as vacinas Coronavac/Sinovac/Butantan e Oxford/AstraZeneca/ChAdOx1/Fiocruz). Link para o texto completo mais abaixo, na seção “Referências” deste post.⁸

O que fazer em caso de contaminação?

Uma outra informação relevante, é que o mesmo portal E-Lactância classificou a doença Covid-19 (causada pelo vírus Sars-CoV-2) como “risco muito baixo” no que diz respeito à amamentação. Ou seja, em que pese a necessidade de que a mãe infectada utilize máscara e mantenha os cuidados de higiene ao amamentar, não há casos documentados de bebês infectados por leite materno de mãe com Covid-19. Assim, considerando os benefícios da amamentação e o papel insignificante do leite materno na transmissão de outros vírus respiratórios similares, é recomendado que a mãe continue a amamentar. Contudo, caso a a mãe esteja muito doente para amamentar, é aconselhável ordenha para evitar ingurgitamento mamário, e o leite ordenhado pode ser consumido pelo bebê.³

E eu que ainda estou gestante?

Assim como no caso das lactantes, ainda não há estudos suficientes, ou seja, não quer dizer necessariamente que as vacinas não sejam seguras para gestantes, apenas que ainda não se pode afirmar que elas sejam. Contudo, veja o caso da Coronavac, por exemplo, que é uma vacina feita do vírus Sars-CoV-2 inativado (ou seja, morto, não tem nenhum potencial de causar Covid-19). Essa tecnologia é a mesma utilizada em diversas outras vacinas que já conhecemos, como a da gripe, que inclusive é recomendada para gestantes!⁴

Aqui no Brasil ainda não há previsão de vacinação para gestantes. Mas nos EUA, o Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG) já recomendou que as vacinas não sejam negadas às gestantes que atendam aos critérios de vacinação com base nas prioridades definidas (por exemplo no caso de profissionais de saúde ou gestantes que apresentem outros fatores de risco para Covid-19). No entanto, as pacientes grávidas que optarem por aguardar para serem vacinadas somente após a gestação devem ser respeitadas em sua decisão.⁵

18/01/2021: Com a recente autorização da Anvisa para uso emergencial da Coronavac e início da disponibilização desta vacina no Brasil, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) emitiu nota de recomendação destacando, dentre outros pontos, que, embora a segurança e eficácia das vacinas ainda não tenham sido avaliadas em gestantes e lactantes, estudos em animais não demonstraram risco de malformações. Para as gestantes e lactantes pertencentes ao grupo de risco, a vacinação poderá ser realizada após avaliação dos riscos e benefícios em decisão compartilhada entre a mulher e seu médico prescritor. Neste documento foi analisada a vacina Coronavac/Sinovac/Butantan. Link para o texto completo mais abaixo, na seção “Referências” deste post.⁷

Já no caso das tentantes, a única orientação que temos até o momento é a que foi divulgada pela Pfizer, de que se espere um prazo de três meses após a última dose da vacina antes de retomar as tentativas.

03/02/2021: A SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida) publicou nota ressaltando que que a vacinação tem efetividade e não induz a risco aumentado de contrair Covid-19, e que não receber a vacina supera o risco de ser vacinado. Em relação às mulheres que estão tentando engravidar (de forma natural ou por meio de tratamentos de reprodução assistida), a nota orienta que se a vacina não estiver disponível ou em caso de pacientes fora de grupos de risco, não há razão para atrasar as tentativas de gravidez. Link para o texto completo mais abaixo, na seção “Referências” deste post.⁹

Referências:

  1. E-lactancia (2020). Covid-19 vaccine. Disponível no link http://www.e-lactancia.org/breastfeeding/covid-19-vaccine/product/
  2. Flávio Melo (2020). Postado no instagram @flaviopediatra, disponível no link https://www.instagram.com/p/CI86_kQjBm4/
  3. E-lactancia (2020). Maternal Coronavirus 2019-nCoV infection (COVID-19). Disponível no link http://www.e-lactancia.org/breastfeeding/maternal-coronavirus-2019-ncov-infection-covid-19/product/
  4. G1 (2020). CoronaVac: vacina contra a Covid-19 ainda não teve eficácia divulgada; veja o que ainda falta saber. Matéria disponível no link https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2020/12/23/coronavac-vacina-contra-a-covid-19-ainda-nao-teve-eficacia-divulgada-veja-o-que-e-preciso-saber.ghtml
  5. Melania Amorim (2020). Postagem disponível no link https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=4136355453044547&id=100000103995269
  6. Mari Rios (2020). Postado no instagram @umamaepediatra, disponível no link https://www.instagram.com/p/CIigDe4AFGC/
  7. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo (2021). Recomendação Febrasgo na Vacinação de gestantes e lactantes contra COVID-19. Disponível no link https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1207-recomendacao-febrasgo-na-vacinacao-gestantes-e-lactantes-contra-covid-19 (consultado em 27/01/2021).
  8. Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP (2021). Guia Prático de Atualização – Departamento Científico de Imunizações. Disponível no link https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908d-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf (consultado em 27/01/2021).
  9. Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA (2021) Covid-19, vacinas e reprodução assistida: veja nota da DA SBRA, REDLARA e outras entidades médicas da AMérica Latina. Disponível no link https://sbra.com.br/noticias/covid-19-vacinas-e-reproducao-assistida-veja-nota-da-sbra-redlara-e-outras-entidades-medicas-da-america-latina/ (consultado em 13/02/2021).

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